
Confiei no banco, me neguei a receber uma notificação e perdi a minha casa:
Comprei o meu imóvel pela Caixa Econômica Federal quando minha filha nasceu porque eu queria que ela tivesse um lugar para crescer e um quarto só dela e sempre paguei as prestações do financiamento com muito sacrifício.
Foram 7 anos trabalhando duro e economizando para conseguir pagar as prestações em dia.
Eu sabia que ainda ficaria pagando por muito tempo, mas pelo menos estaria pagando por algo que seria nosso um dia.
Ao menos era isso que eu pensava.
Com a pandemia, minha empresa precisou demitir muitos funcionários para cortar custos. E eu fui um dos demitidos.
Foi um ano muito difícil para conseguir emprego.
Com a ajuda de familiares e alguns bicos, eu e minha família conseguimos nos manter, mas não conseguimos pagar o financiamento do imóvel nesses meses.
No primeiro mês que não consegui pagar o financiamento eu fui até o banco e expliquei a situação.
Lá no banco, me disseram para não me preocupar. Que era uma situação excepcional. Que eles entendiam e dariam um prazo para que tudo voltasse ao normal. O banco me acalmou e me disse que tudo daria certo.
Quando eu estava com o financiamento atrasado há 3 meses, apareceu uma pessoa para nos entregar uma carta.
Suspeitando que pudesse ser algo ruim, como uma cobrança ou processo, eu evitei receber.
Essa pessoa ainda voltou mais uma vez. Depois disso, ela nunca mais apareceu.
Com o tempo, achei que isso tivesse ficado para trás, ao menos por um tempo.
Afinal, um pouco de tempo era tudo o que eu precisava.
Assim que eu conseguisse um emprego, iria ao banco para negociar a minha situação e acertar tudo.
O que eu não sabia era que o banco tinha continuado com a retomada do imóvel sem me avisar. Eu nem mesmo sabia que eles podiam fazer isso.
Achei que eu precisaria ser citado para que o processo tivesse andamento, mas não foi assim.
Quando eu não recebi a carta, o banco encontrou outra forma de prosseguir com a retomada do imóvel. Usou a chamada citação por edital, na qual eles publicam o conteúdo da carta em um jornal e o procedimento segue como se a pessoa que devesse receber a carta tivesse de fato a recebido.
O meu imóvel, então foi retomado pelo banco e foi colocado em leilão.
No segundo leilão ele foi vendido por metade do seu valor.
O novo proprietário conseguiu uma decisão liminar de um juiz para ter a posse do imóvel.
E foi só nesse momento que eu fiquei saber que algo estava acontecendo.
O tempo havia passado e eu havia conseguido um novo emprego com o qual eu ia conseguir me manter, pagar as prestações e acertas os valores em atraso.
Então recebi a visita de um oficial de justiça. Dessa vez resolvi atender e explicar a situação e acertar todas as pendências.
Só que ele não estava ali para me cobrar as parcelas atrasadas.
O oficial de justiça apenas me avisou que eu teria 60 dias para sair do imóvel ou seria retirado com força policial, se fosse necessário.
Eu mal entendi o que aconteceu. O oficial de justiça deixou comigo um documento e foi embora.
Eu precisaria digerir o que havia acontecido, contar para a minha esposa e para a minha filha que havíamos perdido a nossa casa, encontrar outro lugar para morar, ver se conseguiria pagar uma mudança para não perder os nossos móveis e começar tudo praticamente do zero.
Precisamos nos mudar e morar de favor com a minha sogra, onde estamos agora.
Conseguimos fazer a mudança dos bens mais importantes, mas muita coisa acabou ficando para trás.
Só alguns meses depois eu descobri que haviam ocorridos irregularidades no procedimento do leilão e que isso pode gerar a anulação do leilão.
Mas isso precisa ser decidido por um juiz e os processos judiciais levam o seu tempo.
Mas, que opção eu tenho? Vou continuar lutando pelos meus direitos.
Compartilho a minha história para que outras pessoas não cometam os mesmos erros que eu cometi:
1. Não tentem evitar uma citação ou uma notificação. Hoje em dia isso é muito perigoso.
2. A falta de informação pode sair muito caro. Se eu tivesse a informação correta quando precisei, tudo teria sido diferente.
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Esse caso reflete uma situação cada vez mais comum: retomadas de imóveis pelos bancos sem o controle do judiciário e muitas vezes com irregularidades que trazem enormes prejuízos para os clientes que são o lado mais fraco.
A minha posição sobre o assunto é muito clara: essa falta de fiscalização permite arbitrariedades por partes dos bancos cada vez mais frequentes e mais graves.
E quem paga o preço é o cliente que fez um financiamento e por 3 ou 4 meses de atraso corre o risco de perder tudo.
Esse tipo de situação precisa ser combatida para que as pessoas sejam respeitadas.
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